Desejos mercantilistas do Ministro

O Ministro Fernando Pimentel, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), que é amigo e colaborador de longa data da Presidente Dilma, tem estado bastante no noticiário, em geral defendendo a limitação da queda do superávit comercial (aqui). Ministro, não pense como um “mercantilista”.  No longo prazo, o saldo comercial “ótimo” é ZERO! Para exportar mais, você tem que importar mais. Se tentar frear as importações com tarifas e outros tipos de barreiras, a consequência será um comércio externo menor (menos importações E exportações). Esse fato, de que desencorajar importações é equivalente a desencorajar im EXportações é conhecido como “Teorema de Simetria de Lerner”. Uma boa explicação está (aqui).

As figuras abaixo ilustram. Durante boa parte doa anos 1980, o Brasil restringiu fortemente as importações. O saldo ficou positivo, mas o comércio se manteve estagnado. Já a Coréia, que no início da década de 1980 exportava e importava valores semelhantes ao Brasil, como não adotou medidas restritivas às importações viu se comércio crescer de modo que atualmente exporta e importa aproximadamente o dobro do Brasil, com o saldo alternando entre ligeiramente positivo e negativo. Esse padrão se repete em todos os países que não impõem barreiras significativas ao comércio.

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4 thoughts on “Desejos mercantilistas do Ministro

  1. Marcus,

    Só uma correçãozinha no seu ótimo post:

    vc escreveu “Esse fato, de que desencorajar importações é equivalente a desencorajar importações é conhecido como “Teorema de Simetria de Lerner””

    acho que deveria ser “desencorajar importações é equivalente a desencorajar EXportações”.

    abraço

  2. O Alexandre do Mão Visível tem feito comentários parecidos. Eu lembro dele ter tocado em um assunto importante, o fato de que se o Brasil tivesse uma corrente de comércio maior, os ajustes necessários na taxa de câmbio para equilibrar a balança comercial seriam bem menos pronunciados.

    Encontrei essa explicação dele:

    “Sim, uma participação maior de fluxos internacionais de comércio ajuda a reduzir a volatilidade do câmbio real.

    Para ver isto, imagine dois países idênticos, exceto que A exporta e importa $ 50/ano e B exporta e importa $ 500/ano. Nenhum, é claro, registra qualquer saldo na balança.

    Imagine agora que ambos sofram um choque que os obrigue a gerar um saldo de $ 10. Para facilitar a conta, suponha que a elasticidade-câmbio de exportações e importações seja 1, i.e., 10% de desvalorização reduz importações em 10% e aumenta exportações em 10% (a rigor não preciso desta hipótese, mas simplifica bastante o exemplo).

    Assim, o câmbio real no país A tem que se desvalorizar 10%. Com isto as exportações aumentam 10% (de $ 50 para $ 55) e as importações caem 10% (de $ 50 para $45). No caso do país B, basta 1% de desvalorização para atingir o mesmo resultado (exportações aumentam de $ 500 para $ 505 e importações caem de $ 500 para $ 495).

    Dá para complicar bastante a história, mas o resultado permanece: tudo o mais constante, países com maior participação de comércio internacional no PIB devem ter taxas de câmbio menos voláteis do que países com participação maior. E, até onde me lembro da evidência empírica, este resultado não foi desmentido pelos dados.”

    • Pois é!! Mas acho que o nosso ministro está mais para mágico do que para mercantilista, ele quer aumentar o superávit comercial e fazer o câmbio subir. Com certeza, quanto maior o valor do comercio internacional em relação ao PIB menor a volatilidade do cêmbio, legal o seu exemplo Rafael.

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