Fechando a “Trilogia da paixão”

No “Finíssima Ironia” vemos Nick Rowe dando uma “cutucada” em Krugman, que gosta de dizer que Friedman estava errado ((aqui), entre outras manifestações):

And Milton Friedman was wrong: in the face of a really big shock, which pushes the economy into a liquidity trap, the central bank can’t prevent a depression.

Deixa claro que seu “grande herói” é Samuelson:

In the Samuelsonian synthesis, one must count on the government to ensure more or less full employment; only once that can be taken as given do the usual virtues of free markets come to the fore.

Vai mais longe:

In the end, then, the era of the Samuelsonian synthesis was, I fear, doomed to come to a nasty end. And the result is the wreckage we see all around us.

No entanto, a colocação de Rowe é perfeita:

Fish don’t feel the water they swim in. (I’ve heard that’s false, but it’s too good to check). Paul Krugman does not feel the Monetarist hegemony he swims in.

Porque em sua coluna no NYT do dia 29/11 (aqui), Krugman termina na verdade  “rezando” para que o espírito de Friedman, que “brilha” na resposta dada à pergunta de Laidler sobre o Japão em 2000, baixe sobre o Fed:

Let’s hope that the Fed doesn’t listen. Things in America are bad, but they could be much worse. And if the hard-money faction gets its way, they will be.

Não reconhece, ligado ao assunto da coluna, que em 2000 Friedman havia “cantado a bola” para os problemas que hoje afligem a Espanha, Irlanda, etc.

Na verdade, a “síntese Samuelsoniana” teve seu fim no final dos anos 1960, exatamente no momento em que “brilhou” a “paixão Friedmanita”.

Em 1960, Samuelson e Solow (SS) “venderam” o instrumental da Curva de Phillips para os Conselheiros Econômicos do Presidente Kennedy. A CP servia como o “menu de escolhas” – fixo ou estável – entre inflação e desemprego à disposição das autoridades econômicas.

Em 1967, Friedman e Phelps argumentaram que a “Curva” não era “fixa ou estável”, e que a escolha de uma inflação mais elevada para se obter uma taxa de desemprego mais baixa não se sustentaria. Ao final, a taxa de desemprego não cairia e a inflação seria maior. Ou seja, a Curva se deslocava no tempo. As figuras mostram que a “conjectura” de FP estava correta. Nos anos 1970, as expectativas de inflação se ajustaram e a Curva “deslocou-se”.

Em “Finíssima Ironia”, Nick Rowe fecha assim:

Milton Friedman in 1970′s believed that M2 growth ought to be kept small and constant – the k% rule. Milton Friedman lost that battle. But he won every other battle. He won the war.

No fundo no fundo Krugman sabe disso! E olha que eu tenho dúvida se “aquela batalha” foi realmente perdida. A “Grande Moderação” iniciada em meados dos anos 1980 foi (para mim) consequência de uma adaptação da “regra”.

Haja “paixão”!

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2 thoughts on “Fechando a “Trilogia da paixão”

  1. O Krugman é um excelente economista e tal… Mas essa picuinha com o Friedman é muito boba.

    Aquele texto que ele escreveu depois que o Friedman morreu (em que ele o chama de intelectualmente desonesto) deve ter sido o pior momento da carreira dele.

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